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Mulheres que amam de menos

Mulheres que amam de menos…

Eu quero dar meu depoimento. Creio ter um problema. Se mulheres que amam demais são aquelas que sufocam seus parceiros, que não confiam neles, que investigam cada passo que eles dão e que não conseguem pensar em mais nada a não ser em fantasiosas traições, então eu preciso admitir: sou uma mulher que ama de menos.

Eu nunca abri a caixa de mensagens do celular do meu marido.

Eu nunca abri um papel que estivesse em sua carteira.

Eu nunca fico irritada se uma colega de trabalho telefona pra ele.

Eu não escuto a conversa dele na extensão.

Eu não controlo o tanque de gasolina do carro dele para saber se ele andou muito ou pouco.

Eu não me importo quando ele acha outra mulher bonita, desde que ela seja realmente bonita. Se não for, é porque ele tem mau gosto

Eu não me sinto insegura se ele não me faz declarações de amor a toda hora.

Eu não azucrino a vida dele.

Segundo o que tenho visto por aí, meu diagnóstico é lamentável: eu o amo pouco. Será?

Obsessão e descontrole são doenças sérias e merecem respeito e tratamento, mas batizar isso de “amar demais” é uma romantização e um desserviço às mulheres e aos homens. Fica implícito que amar tem medida, que amar tem limite, quando na verdade amar nunca é demais. O que existe são mulheres e homens que têm baixa autoestima, que tem níveis exagerados de insegurança e que não sabem a diferença entre amor e possessão. E tem aqueles que são apenas ciumentos e desconfiados, tornando-se chatos demais.

Mas se todo mundo concorda que uma patologia pode ser batizada de “amor demais”, então eu vou fundar As Mulheres que Amam De Menos, porque, pelo visto, quem é calma, quem não invade a privacidade do outro e quem confia na pessoa que escolheu pra viver também está doente.

Autor: Martha Medeiros

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41 thoughts on “Mulheres que amam de menos

  1. Mih says:

    Eu me considerava uma mulher que amava de menos, ate ser traida e meu marido começar me tratar com indiferença..
    A partir desse dia percebi que amava demais e fiz justamente isso que vc falou fiscalizava tudo celular,carteira,cheirava as camisas, fiscalizava o carro para ver se nao tinha cabelo de mulher etc .
    Enfim eu nao tinha paz e segui assim durante mais quatro anos .. Nao queria perde-lo mais chegou um momento em minha vida que abri mão de tudo peguei meus filhos e me mudei de cidade.. Hj tenho paz vivi tranquila com meus filhos mais ainda estou fechada para o amor pois sinto que ainda amo meu ex marido…

    • Carol says:

      Concordo com a Mih, mas meu caso foi diferente… foi namoro. Sempre fui tranquila, na minha, se as pessoas tinham problemas com ciumes não me importava. Não vasculhava nada, não procurava, não me importava que ele falasse de alguma mulher, até fazia piada. Certo dia descobri uma “trova”, não chegou a se concretizar (pelo que ele disse) mas desde então tenho o pé atrás. É um receio de ser feita de “trouxa”, amar demais e descobrir que ele tinha outra, descobrir que um dia aquele muro da confiança foi destruido por uma ação (ou mais).
      Sentimos uma dor que muitas vezes ou nos afasta ou nos corrói. Continei o namoro, mas aquela tranquilidade nunca mais foi a mesma. Tem um texto do Fabrício Carpinejar que é “efeito colateral da mulher romântica” bem interessante, não que eu rotule mas pode servir de autoconhecimento e quisá uma melhoria em nossas ações.

    • Celia says:

      Acho muito triste confiar e ser traída(o). Mih, você mudou essa situação e achou assim a sua paz. Foi uma excelente resolução.
      Torço por você!
      Celia

  2. eryzinha says:

    Eu creio no equilíbrio. Demais nao é legal (e eu era assim na adolecencia). Indiferença demais é nao se importar. E se não se importa, não ama. Nao atendo o celular dele, nao fico curiosa pra saber quem ligou, nao vasculho a carteira… nao mexo no notebook, mas… não ia gostar nada nada se soubesse algo que me deixasse desconfiada que ele é infiel.

  3. Cristina says:

    Na minha opinião quem ama mesmo, respeita o espaço do outro, essa loucura de controlar o companheiro é insegurança, baixa autoestima, só traz sofrimento.

  4. Renato Resende says:

    Adorei o texto,.
    Sou casado a 8 anos e minha mulher então me “ama de menos”, confesso que também “amo de menos”, e somos super feliz com tão pouco amor?
    Será isso possível ?!
    Creio que não seria possível ser feliz com pouco amor, pouco amor temos pelo carro, moto, cassa. Não fazer tudo isso que está escrito nesse texto isso sim é amor !
    Parabéns Martha Medeiros continue “amando menos” e sendo feliz.

  5. Eliana Gomes says:

    Achei elogiável Martha Medeiros, se é amor de menos não sei, mas acredito no respeito ao espaço do outro, e não me sentiria mais amada se meu espaço fosse invadido, creio que serve para os homens também, não acredito que ele se sinta mais amado, apenas porque sua privacidade seja vasculhada 24 horas por dia, também posso afirmar que amo de menos, ou amo na medida e sou feliz por isso. Parabéns Martha Medeiros.

  6. Cíntia says:

    Acredito que quem quer trair, faz isso independente de ser fiscalizado ou não. Sou de me doar completamente ao “meu amado”, sou carinhosa e leal. Porém, dou liberdade e não vivo fuçando a vida dele. Se percebo algo estranho, tento conferir, mas não vivo em função disso. Confio sim, até o dia q me der motivos pra parar! Viver procurando só nos faz sofrer.

  7. José Junior says:

    Bom dia,
    Realmente o seu texto foi muito bem elaborado, mas, deixa algumas arestas e eu explicarei.
    De fato, fazer tudo o q você descreveu anteriormente caracteriza uma doença e um descontrole emocional tremendo, mas, em contra partida, a falta de atenção em um relacionamento pode causar algumas desconfianças, mulheres que se acham auto suficiente e/ou que tenham algum tipo de complexo deixam de cultivar diariamente uma relação promissora e acabam perdendo com o tempo. Uma ligação durante o dia para mostrar que realmente gosta da outra pessoa e está pensando nela, elogiar a pessoa amada, fazer carinho, demonstrar afeto e carinho, mandar uma mensagem despretensiosa durante o dia ou noite, postar coisas bacanas sobre o seu relacionamento e não apenas achar o que os outros postam legal e comentar, entre muitas outras coisas… Existem muitas mulheres que se auto intitulam “Mulheres que amam de menos” que deixam de fazer tudo isso e acham que está tudo bem pelo simples fato de não mexer em nada do seu parceiro com uma falsa impressão de ser a melhor mulher do mundo e de fato não é.
    Entenda que de forma alguma meu comentáriofoi agressivo ao seu texto, eu apenas quis mostrar o outro lado da moeda que infelizmente existe.

    • Camila Andrade says:

      Compartilho a mesma conclusão!
      Claro que,certas coisas são muitas vezes doentias,mais se tornar uma parede também, não contribuirá para a saúde de um bom relacionamento!

  8. Manancial says:

    Emoção é tão difícil de precisar… Eu amo de menos, amo de mais, às vezes acho que deixei de amar por causa de alguma briga (tudo muda quando a raiva passa), às vezes me apaixono de novo como uma adolescente.
    Em geral eu amo de menos, mas de repente, por uma queda súbita na minha auto-estima, uma olhada de ângulo errado em algum espelho, posso me amar de menos também, daí eu vou dar uma de olhar nos bolsos da calça, procurar alguma pista de traição, fazer todas essas coisas feias, e nunca achar nada, e nunca ter achado absolutamente nada em 33 anos de casamento!

  9. Falcão says:

    Ao longo de minha história amei de menos, literalmente nos termos descritos, mas também amei verdadeiramente demais, ainda assim fui traída e fim. Pra dizer somente que penso e sobretudo vivi, que não há regras. Ele foi o culpado? Eu? Quem falhou? Onde falhamos? O ser humano, as relações interpessoais são complexas pra análises superficiais. O que de fato todos nós buscamos é acertar, é ser feliz o resto são conjecturas.

  10. Anna says:

    Sou dessas que ama demais… Já fui traída e tenho medo de passar por todo esse sofrimento de novo. Com isso, acabo sufocando meu atual namorado , e tenho medo de perde-lo. Ele nunca me deu motivos para desconfiança, mais meu medo é maior que isso! ou uma mulher insegura, ja tentei melhorar em alguns pontos, já não pego mais no celular dele, nem vasculho as mensagens das redes sociais dele. Mais tenho que afirmar que está sendo difícil pra mim! Maaais… quero muito mudar, sei que o problema esta comigo, é um tipo de trauma, sei lá… bem ,é isso.

  11. Alessandro says:

    Minha ex-namorada era bem do tipo que ama demais. Ela chegava ao ponto de me ligar para saber com quem eu estava falando no whatsapp porque ela via que eu estava online! Ela pegava meu celular para ler mensagens, via e-mail, eu deixava ver o que quisesse mas aquilo era stress demais e esse ciúme me irritava. Não teve outro jeito além de terminar. Minha namorada atual é exatamente o oposto, é dessas que “amam de menos” como fala o texto. No começo até estranhei porque a diferença de uma pra outra era muito grande. Além de tantas coisas que temos em comum, essa de dar espaço ao outro e não sufocar com ciúmes bobos , é mais um dos motivos que fazem a gente dar tão certo.

  12. Penso que o conceito que temos sobre o que é amar nos indica o comportamento a ser adotado em uma relação. Hoje acredito que amo de menos, já não me importo com atitudes que outrora acreditava serem importantes. Hoje sei respeitar o espaço do meu companheiro. Interessante seu post, porém quem ou o que poderá medir a intensidade do amor?

    • Penso que: o conceito que temos sobre o que é amar nos indica o comportamento a ser adotado em uma relação. Hoje acredito que amo de menos, já não me importo com atitudes que outrora acreditava serem importantes. Hoje sei respeitar o espaço do meu companheiro. Interessante seu post, porém quem ou o que poderá medir a intensidade do amor?

  13. Juliana says:

    Na verdade, ser uma MADA não é sufocar o parceiro necessariamente. Tem muito mais a ver com uma noção exacerbada de que é dela a obrigação de consertar o mundo pra ele.

  14. says:

    Vale esclarecer: “amar demais” é um jargão. Como todos passível de interpretações. Assim como “deficit de atenção” corresponde à pessoas com instabilidade de foco, mas que são capazes de criar uma super atenção a determinados assuntos que as agradam.
    Conhecendo melhor o assusto fica claro que o “amar demais” não tem nada de amar, é dependência, obsessão, compulsão… E traumas como ser traída podem desenvolver essa tendência. O verdadeiro amor implica confiança. E infelizmente não é garantia para não traição. Esse é um problema do outro. Acho que você está amando saudavelmente.

  15. Jacqueline de Souza says:

    Martha Medeiros como sempre falando sobre o que não viveu e tentando se fazer de bem resolvida. Só vi no final que este texto era dela, se soubesse nem teria perdido meu tempo.

  16. SIMONE says:

    Na vdd, mulheres que amam demais, amam de menos a ela própria. O “mulheres que amam demais”, não é relacionado somente a amar demais um homem. Elas amam demais o trabalho, ou o filho, ou uma amiga também. Não tem essa de rimantizaçao. Ama demais e náo se ama o suficiente pq vive nesse transtorno obsessivo no gostar de alguém. É uma dependencia emocional. Ama-se além da conta e nem por isso ffuxixa a ou invade a privacidade do seu companheiro. Agora, acho que seu jeito de amar seguro não o qualifica de menos. Mas para muitos pode ser o acomodado. Pense nisso.

  17. Deoris says:

    A questão não é amar menos ou mais, a questão que infelizmente as pessoas não são sincera o suficiente para compartilhar seus passados,medos, insegurança, desejos, etcs.,a mulher só vai “amar demais”, porque no fundo ela sabe que o companheiro omite certos sentimentos, essa talvez busca nessa “invasão” do outro respostas, que ele mesmo omite a ela, sendo assim o que era pra ser um amor intenso, se torna uma obsessão ou ate mesmo uma doença.
    Creio que antes de “amar demais” o outro, a mulher (homens também) deva amar seus princípios e valorizar a si mesmo, caso o outro não te corresponder com mesmo sentimento, acredito que cada deva procurar seu próprio caminho.

  18. Rosália says:

    Excelente texto e tema. Amo exageradamente de menos e, ao que eu saiba, nunca fui traída, nem o fiz. Acho que antes de avaliar pesos e medidas do Amor, que não se quantifica, devemos presar o RESPEITO. Quando duas pessoas emocionalmente maduras decidem estar e ficarem juntas, de verdade, por amor a eles próprios, ao sentimento, ao relacionamento, não há que se cobrar isto ou aquilo, controlar, pressionar. O Amor é um sentimento livre. E quanto a ser ou não traído, por esta ou outra razão, me desculpem os românticos, mas nesta fase já não resta muita coisa, o caminho não foi solidificado e já não vale a pena cultivar o incultivável. E tem mais, trair a si próprio é pior! Se não há confiança, respeito, cumplicidade de ambos, inexiste Amor, então, é hora de recomeçar novos caminhos, seguir à diante, sem olhar para traz. A vida segue…

  19. Martha Helena de Lima Borges says:

    Gosto muito da Martha, minha xará, mas desta vez ela cometeu um grave deslize. Quem leu a obra Mulheres que Amam Demais, bem como outras relacionadas a um transtorno chamado Codependência, sabe muito bem que o escrito não tem nada a ver com essa sintomática citada acima. A Codependência é um assunto sério, e deve ser tratada como tal, visto que coloca seriamente em risco o bem estar e até a vida das pessoas que a carregam. Merece ser tratada pois tem histórico e raízes profundas familiares. Maiores informações também podem ser obtidas nas obras Codependência Nunca Mais e o Para Além da Codependência.

  20. Aleluia, finalmente tenho uma definição! Sou uma “mulher que ama de menos”. Adorei isso, não pelo nome, que soa até um pouco deprimente, mas por saber que existem pessoas como eu, além de meu marido, com quem estou casada há 27 anos.
    Após ler vários comentários, gostaria de dizer que não vejo nenhuma relação entre amar de menos e ser traída. O que tiver que acontecer, acontecerá. Com ou sem vigilância!

  21. Be says:

    Amei de menos por 20 anos em quanto ele amou demais. Emfim não podia dar certo um desequilibrio total, e no final descobri que o mesmo que amou demais me traiu. Porém nao me arrependo…quem falhou fou ele e se eu amasse demais, nada poderia mudar

  22. Isabel says:

    Fui ou sou casada há 24 e meio. Não sei o que sou agora , se casada ou livre ! Por volta de 10 anos atrás, situações de uma família muito carente, me fez pensar em pegar para criar uma adolescente de 16 anos. Meu marido no comerço relutou, depois aceitou, chegando a conclusão do bem que faria para alguém, ambos eramos evangélicos.
    Cerca de 5 anos atrás, fui percebendo um espirito competitivo por parte dessa até então nossa filha do coração. E eu comecei a ter muitas desconfianças, pois cada dia que passava, sentia meu esposo se afastando mais e mais ….. Até que dia 29/08/2015 descobri que por 8 anos ele , meu marido à molestava e ela deixava, pois disse-me que gostava. Em março ele começou usá-la como mulher….
    Meu relato, parece não fazer sentido com esse artigo, mas faz sim…. Achei que amava demais, por isso me via neurótica. E pensava que ele não sabia amar, ( de fato não sabia). Foi tudo tão sórdido, que hoje estou totalmente confusa mediante tanta sujeira ! Pecado, crime, desleadade….
    Bem, hoje só quero aprender à amar de menos !

  23. monica rezende says:

    Nunca violei a privacidade do meu marido, até ser “traida`´.. não sei se fui, mas estava em “vias de“. Chego a conclusão que o ser humano não nasceu para ser monogamíco, e não adianta fazer cálculos por nosso mundinho.

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