Imagem

Meu filho é gay. E daí?

Mãe sempre sabe, mas quando o filho decide se assumir, a reação de surpresa é tão natural quanto deve ser a liberdade sexual das pessoas. Qual a melhor forma de agir nessa situação?

Para muitos heterossexuais, é difícil entender por que existem homens que gostam de homens e mulheres que gostam de mulheres.

Mas um raciocínio simples ajuda a compreender: em que momento da sua vida você escolheu se iria gostar de homens ou de mulheres? Consegue lembrar?

Provavelmente não. Sabe por quê? Porque não se trata de uma escolha. A descoberta sexual é um processo natural: cada pessoa vive (ou deveria viver) a sua própria experiência no seu próprio tempo.

Por isso, é fundamental que os pais apoiem seus filhos a vivenciarem suas descobertas da forma que elas devem ser: sem pressa, nem pressão.

“Aos 4 ou 5 anos, pode ser que a criança se identifique mais com um sexo ou outro, mas normalmente é a partir dos 12 anos que começa o interesse pela sexualidade”, explica a psicóloga Luciana Kotaka.

João Pedro Cortez tem hoje 16 anos e se assumiu homossexual para a família há cerca de 1 ano.

“Eu não era interessado por nada, menino ou menina, até os 13 anos. Ficava com meninas mais na obrigação e na pressão dos amigos. Depois de um tempo, foi surgindo o interesse por uns meninos e até a metade dos 15, eu dizia que era bissexual. Até chegar um momento em que eu percebi que não tinha o menor interesse por meninas”, conta.

Foi quando João sentiu necessidade de dividir sua descoberta com a mãe. “Não foi fácil criar coragem, mas na hora que eu disse tudo de uma vez, foi mais fácil do que pareceu”, lembra.

A mãe do João, Claudia Cortez, é professora e estava dando aula quando o celular tocou. Ela atendeu e João lhe contou que era gay. “Eu desconfiava desde que ele era pequeno e, na hora, eu não lhe disse nada. Falei que conversaríamos quando eu chegasse em casa”, relata.

A conversa mais tarde foi natural. Claudia reconhece que, por mais que fosse esperada, a notícia lhe causou um pouco de estranhamento no começo. Mas em nenhum momento ela cogitou fazer outra coisa que não fosse aceitar o filho, que afirma que a relação dos dois mudou para melhor depois desse dia. “Me sinto mais solto para conversar com ela”, afirma João.

Na casa da também professora Josiane Lahr, a primeira conversa sobre a homossexualidade do filho Cainã Lahr, de 23 anos, também foi parecida. Ele decidiu escrever para a mãe uma carta contando tudo.

“Eu já tinha percebido que ele era gay, mas decidi esperar ele vir me contar. Por isso, a notícia não me causou choque, só preocupação com o sofrimento dele com a homofobia”, conta.

Atitude adequada

A psicóloga Luciana Kotaka concorda com a postura de Josiane, de esperar o tempo do filho para abordar o assunto. “Os pais devem aguardar a manifestação dos filhos sobre esse assunto. O mais adequado é sempre deixarem claro que estão com eles para qualquer situação de vida que possa aparecer. Dessa forma, os filhos sentirão que terão apoio para se abrirem no momento que definirem como sendo o ideal”, explica.

Sobre a preocupação dos pais por conta de o mundo ainda ser muito preconceituoso, Luciana lembra que não existe fórmula mágica para evitar o sofrimento dos filhos.

“Mesmo nas famílias que tratam esse assunto com naturalidade e apoio, é importante conversar sobre o que pode acontecer, como reagir a provocações e que tipo de cuidados são importantes”, recomenda.

Fonte: disneybabble.uol.com.br

Foto: Getty Images

Compartilhar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *