Imagem

Liderança e emoções

A figura dos líderes na organização, o famoso líder democrático, aliás, todo o líder acha que é democrático. E esse conceito de democracia é confuso porque no momento que você pergunta para o líder como ele exerce a liderança, a resposta é clássica: “ah, eu deixo as pessoas opinarem”. Conceito nada democrático de democracia. Deixar, contar e usar a opinião dos liderados é o mínimo no exercício da liderança, seja ela democrática ou não.

Um conceituado estudioso de grupos foi Kurt Lewin. Ele dá um conceito bem interessante de líder democrático: “O Líder democrático delega autoridade, sabe que é sensível, o seu objetivo é criar condições que permitam a participação do grupo no desenvolvimento e na execução de tarefas”.

Tomando o conceito de Kurt Lewin, esbarramos com um comportamento bem observável dentro das organizações: muitos líderes não se sentem confortáveis em delegar muita coisa, muito menos autoridade para as pessoas de sua equipe. Mas o que acontece com este líder escolhido pelo Rh, que muitas vezes passa por processo de seleção rígido, é avaliado e reavaliado e não consegue dar autoridade para as pessoas? O que acontece é que a organização deve lembrar que o líder é tão humano como todos, tem seus recalques, medos, vaidades como todos os outros ( incluindo nós mesmos). Nesse sentido, o treinamento e o desenvolvimento de competências de liderança é necessário mas não suficiente para a capacitação do líder.

Para trabalhar os recalques, vaidades e medos é que entra os conceitos da psicanálise. Há alguns anos trabalho com o coaching e me deparado com situações em que os recalques das pessoas fazem com que fiquem presas a paradigmas, rótulos e comportamentos. A verdadeira prisão sem grades que impede as pessoas de viver leve e crescer em sua vida pessoal e profissional. Dentro de minha ética, quando percebo isso em um cliente logo o encaminho para a terapia. Muitos vão, outros não acreditam, outros, por conta do cargo “tão importante” de líder, não têm tempo (pura resistência).

Fica muito claro que a empresa que apóia o desenvolvimento psíquico de seus líderes, consegue formar líderes verdadeiramente democráticos e ganham muito, criando um ambiente com menos vaidade, de comportamentos livres e psicologicamente seguro.

Autor: Sônia Pedreira de Cerqueira

Compartilhar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *