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Faxina noturna

Dormimos cerca de oito horas por noite, todas as noites (ou quase). E se não dormimos, as consequências são imediatas: fadiga mental, dificuldade de encontrar as palavras, de fazer contas de cabeça, de se manter atento, de tomar decisões. Fica óbvio que o sono não é apenas “o outro” estado de funcionamento do cérebro, mas uma necessidade básica para que o cérebro trabalhe direito enquanto acordado da próxima vez. Até mesmo consolidar o aprendizado do dia – ou seja, transferir informações de maneira duradoura para a memória – depende de sono naquela noite.

Mas nada disso explica por que dormimos. Por que é mandatório dormir, a ponto de a insônia completa e permanente acabar sendo letal a humanos, camundongos e até mesmo moscas?

Foi apenas no final de 2013 que a neurociência finalmente teve uma forte candidata a resposta, vinda do laboratório da Dra. Maiken Nedergaard, nos EUA: o sono parece ser a oportunidade do cérebro para que metabólitos (quer dizer, produtos do metabolismo normal do cérebro) potencialmente tóxicos sejam eliminados, permitindo às células começar um novo dia limpas, ao invés de nadando em suas próprias excreções.

O interesse inicial da equipe de Maiken Nedergaard não era o sono em si, mas estudar o espaço intersticial do cérebro: o volume situado do lado de fora das células, por onde circula o líquido que banha as células e “lava” embora tudo aquilo que elas excretam, inclusive os tais metabólitos. Para estudar o espaço intersticial, a equipe injetava um corante que se espalhava por esse espaço no cérebro de camundongos acordados sob o microscópio, com seu cérebro exposto por uma janela implantada no crânio.

O experimento devia ser um tanto monótono para os animais, pois estes acabavam adormecendo. Foi o que levou à descoberta. Com o animal acordado, o corante injetado ficava apenas na superfície do cérebro. Mas, para a surpresa dos pesquisadores, assim que o animal adormecia, era como se uma torneira de corante houvesse sido aberta: o líquido agora se espalhava rapidamente pelo espaço intersticial.

Investigando o fenômeno inesperado, a equipe demonstrou que a circulação de líquido pelo espaço intersticial é mínima no cérebro acordado, quando o espaço interesticial é reduzido. Mas a transição para o sono leva a uma expansão de 60% desse espaço, o que aumenta enormemente a circulação de líquido. Na prática, o resultado é que a remoção de toxinas produzidas pelo funcionamento das células essencialmente só ocorre durante o sono; no cérebro acordado, com pouca circulação de líquido, elas vão se acumulando.

Ao menos um desses metabólitos, aliás, é forte candidato justamente a fator causador do sono: adenosina, produzida e liberada por neurônios e células gliais durante o funcionamento do cérebro acordado. Quanto mais adenosina se acumula, mais difícil fica se manter acordado, motivado e atento – e maior é a sensação de sonolência. É fácil pensar em como o cérebro, acordado, fica gradualmente prejudicado conforme se acumulam os produtos tóxicos do seu próprio funcionamento, como a própria adenosina. Quanto mais tempo se passa acordado, mais difícil é continuar acordado – e mais forte, portanto, é a tendência a adormecer.

Dormir parece ser a solução para o problema: um estado transitório, mas obrigatório, repetido todos os dias após um certo número de horas acordado, acumulando lixo. Dormir limpa o cérebro, levando embora adenosina e o que mais houver se acumulado. E assim você acorda pronto para… começar tudo de novo.

(Autor: Suzana Herculano-Houzel / Fonte: Revista Mente e Cérebro)

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One thought on “Faxina noturna

  1. Carla says:

    seus textos são maravilhosos!! estou namorando um cara que tem síndrome do Pânico e depressão há varios anos e ele só vai a Psiquiatra, e esses dias ele está muito depressivo, quer ficar sozinho e não quer que eu vá vê-lo. Terminou o nosso namoro duas vezes já essa semana!! ele me liga e eu vou correndo pra casa dele, estou cansada de ser bonequinha fantoche dele sabe, cansei, agora ele terminou comigo de novo!! na quarta-feira passada também terminou comigo e agora de novo, Não sei mais o que fazer, se eu caio fora de vez ou se insisto nessa relação instável!! não dá mais pra mim não sabe, acho que vou deixá-lo , porque ele não quer ser ajudado de jeito nenhum, em uma seman terminou comigo duas vezes, aí ele se arrepende e eu vou correndo atrás dele, é só ele me chamar e eu vou correndo!! to cansada com essa situação toda, e quando entro no seu site tenho respostas para várias perguntas minhas, Seus textos me ACALMAM!!!FAÇO ANÁLISE, amanhã vou a minha Psicológa, e vou vê qual a opinião dela, pq essa relação está me fazendo muito mal sabe!! não aguento mais, ao mesmo tempo quero muito ajudá-lo mas ele não quer!! sexta-feira passada marquei um encontro com Psicoterapeutas em um grupo com síndrome do pânico ele disse que iria!! na hora disse não iria mais, a situação vem se agravando e eu fico preocupada com ele!!
    está muito barra pesada pra mim, muito mesmo, obrigada por seues textos e suas palavras que me acalmam.

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