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Como lidar com a rejeição?

A dor é praticamente obrigatória na nossa trajetória de vida e ocorrerá independente da nossa vontade, como uma dor de cabeça, uma dor de estômago. Já o sofrimento psíquico é optativo, sofre quem quer, pois está ligado aos sentimentos desagradáveis, podendo ser evitado através de um novo modo de compreender a realidade.

O sofrimento psíquico de ser rejeitado talvez seja o maior que uma pessoa possa sentir numa relação amorosa. Ser rejeitado, ser recusado, preterido ou abandonado fere profundamente a vaidade de uma pessoa, magoa seu narcisismo e frustra sua fantasia de que “como alguém pode não gostar de mim?”, ou seja, destrói a fantasia arrogante de ser querido absolutamente.

Acontece que nem sempre as nossas idealizações são recompensadas. Por exemplo, você conhece uma pessoa e se encanta por ela, lhe parece que encontrou a sua outra metade, riem juntos, dançam juntos, gostam das mesmas músicas, têm gostos parecidos e, pronto, você acredita que achou a sua alma gêmea.

E passa a andar de mãos dadas, bebericar da mesma taça, curtir as publicações do Facebook… até que… puf! Acabou o romance, a sua cara metade simplesmente lhe dispensa. E começa o desespero: “como ele pode fazer isso comigo depois de tudo o que me mostrou?”, “quem ele pensa que é para não assumir o nosso romance?” e seguem-se dias e dias de intensa amargura.

Já viu esse filme? Pois eu ajudo pacientes, praticamente todos os dias, a se libertarem desse tipo de sofrimento. Perceber o outro é algo trabalhoso e é aí que começa uma mudança de perspectiva, quando passamos a compreender que gostar de alguém, idealizar no outro a nossa vida amorosa, ter planos para os próximos meses, não significa que a outra pessoa tenha essas mesmas expectativas. Simplesmente ninguém é obrigado a gostar e conviver com alguém.

Entenda: essa completude na paixão, essa afinidade bilateral simplesmente não foi efetivada, não há obrigatoriedade dos sentimentos serem equivalentes. Mas você se frustra, pois seu desejo de amor eterno não foi atendido, e briga, e chora e sente na pele e na alma a rejeição completa do outro, há perda daquilo que se imaginava ter.

Ao se deixar dominar pelo egocentrismo, se prende no ilusório, sente-se inferior, se acomoda no chororô, deixando-se levar predominantemente pelas suas emoções. Mas, é possível estar com muita dor e não estar sofrendo? Sim, é possível! Acredite!

Se você analisar os motivos que levaram à não concretude do idealizado, talvez encontre as respostas. Se você aceitar o fato de ter vivido algo bom que teve um fim, fica mais fácil lidar com futuras rupturas no trabalho, com a morte, com o fim de um programa. Sem alarde, sem exageros, com aquela dor que através da compreensão fica cada dia menor, menor e menor, até não ser notada.

Isso parece difícil e é, mas deve ser encarado como um processo evolutivo, basta que você se vigie, constantemente. Como é sua relação com o outro? Exige que lhe dêem a mesma atenção que você dispensa? Sempre busca reconhecimento por algo que executou?

Aprenda: o mundo não lhe deve nada, ele já lhe oferece tudo. Seja grata pelos bons momentos que vivenciou, aceite o término de uma etapa para o início de outra. Aprenda com as contínuas mudanças que o dia a dia impõe. Cada pessoa que convive com você lhe ensina a ser mais humilde, a compreender, a se doar; potencialize as qualidades que ficaram, em detrimento do sofrimento de não possuir aquilo que tanto gostava, aquilo não lhe pertencia e que foi apenas uma doação do universo para que algo servisse de aprendizado.

Tente compreender os porquês de cada situação, o que motivou a ação do outro, respeite as suas escolhas e desculpe, entendendo que a dor é passageira. Não queira ser perfeito e não exija essa perfeição dos outros. Cada um tem a sua maneira de ser e de agir.

Através dessa compreensão você apreende a lidar melhor com as adversidades e percebe que a cada dia fica mais fácil, que está amadurecendo, que consegue lidar com a emoção através do uso da razão.

Autor: Natthalia Paccola

 

 

 

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17 thoughts on “Como lidar com a rejeição?

  1. Marinalva Santos says:

    Olá! Nathália, amei sua matéria. Fantástica! Passei por essa situação. Foi muito doido, muito triste mas sobrevivi e quase entrei em depressão. Venci essa “batalha”. Me sinto forte, mais madura e sobretudo me amando, me respeitando e aprendendo lidar com minhas limitações!
    Obrigada por compartilhar conosco esse texto maravilhoso!!

  2. Dani says:

    É difícil em um momento como este enxergar que a pessoa tem qualidades… Estou muito mal, não consigo acreditar nos fatos. Sei que preciso de ajuda.

  3. Indyara says:

    Inacreditável o que está acontecendo comigo. Sou estudante de psicologia e sei que preciso muito da ajuda de um profissional pra superar esse momento! Não está sendo nada fácil :'(

  4. Givalda says:

    Sou uma pessoa triste nao sei lidar com a rejeição ainda, a minha começa desde q fui adotada, depois vem a amorosa, q sentimento ruim, sao muitas perguntas sem respostas.

  5. Iara says:

    Um excelente texto, eu também passei por um momento muito difícil de separação e rejeição, sofri demais, mas passou hoje
    ainda doi, mas já não sofro mais. Obrigada por compartilhar esse precioso texto.

  6. Aretuza says:

    Excelente texto…mas na prática é muito difícil…sair de um relacionamento de 25 anos e dizer que tudo está bem é muito complicado…..mas, vou tentar….obrigada por compartilhar conosco.

  7. Carolina says:

    Bonitas palavras,mas mesmo me esforçando pra ver verdade nelas não consigo. A rejeição nos cega de tal forma, que torna impossível a sobrevivência da autoestima. Por mais que acredite que o fato foi superado, nunca vou deixar de me sentir dessa forma REJEITADA.

  8. Thayna says:

    Oi Nathalia, curto sua página no Face já faz um ano ou mais. Porém,só agora parei pra ler os artigos e os outros textos direcionados pra uma respectiva situação através dos testes que você dispõe no fan page. Esses textos têm me ajudado muito a refletir. Se morasse em Sampa, acho que marcaria um consulta com você. Quem sabe um dia?! Obrigado pela terapia.

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