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Alguns pais… melhor não tê-los!

Nesta semana estava eu na fila para almoçar, quando ouvi, sem querer, daquele jeito que vocês já conhecem, a conversa de duas pessoas. Pelo que pude perceber uma era a mãe e a outra uma amiga dela.

A mãe relatava à amiga a dificuldade que está tendo com a escola do filho. Um garoto de 11 anos, que está em pleno desenvolvimento, com os hormônios à flor da pele e que sempre foi expressivo e dinâmico. Era evidente o orgulho que a mãe tem pelo filho.

Ela estava desolada porque é sempre chamada à escola do garoto e na visão da instituição de ensino ele é um problema.

A amiga perguntou o que ele faz para a escola pensar isso e a mãe contou que algumas vezes foi chamada à escola, inclusive que o menino já fora suspenso das atividades escolares porque ele bateu em alguns colegas menores (mas que com certeza fora provocado para ter tomado tal atitude), outra vez ele ridicularizou um colega de classe que é surdo e tem dificuldades na fala, em outra ocasião teve uma crise de riso ao ver uma colega convulsionando na sala de aula e só por isso a professora ficou muito chateada e levou a situação para a Equipe Pedagógica da escola, que a chamou para contar o ocorrido e solicitar que conversasse com o aluno sobre a necessidade de respeitar os outros.

A amiga disse algo sobre ele ser danadinho e a mãe saiu em defesa do filho, alegando que ele havia pedido explicações para a professora acerca do que estava acontecendo e a professora (na ânsia de acudir a garota que estava convulsionando, creio eu!) não parou para explicar. A culpa da reação dele, no entender da mãe, foi da professora.

Mas não parou por aí… (nunca comi tão devagar!). Outra ocorrência relatada dizia respeito a uma história que ele escreveu na agenda que a escola usa para a comunicação com a família. Na história ele relatava um sonho no qual estava fazendo sexo com alguém. A mãe foi novamente chamada à escola. E mais uma vez a escola foi responsável pelo problema, porque afinal, a agenda pertence ao garoto e ele havia colocado uma observação de “Professora, não leia!, Diretora, não leia!”. Ora elas leram porque quiseram. Alegou ainda que o que a Equipe Escolar tinha feito se configurava numa invasão à privacidade do menino. A amiga até tentou fazer a mãe ver que ele poderia ter escrito em outro lugar, poderia ter um diário, por exemplo, uma vez que a agenda é um veículo de comunicação da escola. A mãe não se deu por vencida. Está pensando em mudar o filho de escola, afinal a escola atual só persegue o filho dela e não faz nada do que a psicóloga do menino manda fazer! Esta meio angustiada porque os outros dois irmãos – uma garota mais velha e um garoto mais novo que o “anjinho” em questão – estudam nesta escola e não querem sair. Talvez o jeito seja trocar só o filho mais contestador. Ela até entende que ele precisa de mais atenção, a psicóloga já falou isso para ela, mas ela faz tudo que pode por ele. Ele sofre porque é incompreendido! Mesmo quando ele conta pela escola que cicatriz de queimadura horrorosa que a irmã tem é culpa dele, ele só quer atenção! (Palavras da mãe)

Bem… o que podemos inferir disso tudo? Podemos imaginar mil coisas…

Será que este filho foi planejado? Amado? Desejado? Será que esta gravidez foi tranquila para a mãe, emocionalmente falando? Será que esta mãe ama desta forma equivocada para se livrar de uma culpa, gerada em alguma etapa do processo? Talvez se pudéssemos olhar estes e outros detalhes com mais profundidade talvez descobríssemos algumas causas para esta (má) educação.

E quanto ao garoto? Segundo a mãe ele tem problemas depressivos e a escola não entende. Mas uma criança não tem estes comportamentos se não aprendeu a agir assim ao longo da vida. Talvez ele tenha recebido tanta atenção, tanta proteção, como forma equivocada de amor, que aprendeu que pode fazer e agir como bem entender, com o aval daqueles que deveriam educá-lo.

Ele é puro ID, nossa instância do prazer, puro narcisismo primário, é o “bebê onipotente” que ainda não cresceu e não vai crescer nunca se continuar por esse caminho.

Ambos precisam de ajuda… Somos seres desejantes, é natural querer prazer, buscar o prazer imediato. Porém a vida é cheia de nãos e a tolerância à frustração é uma capacidade humana que precisa ser aprendida e os pais, no processo de educar, são os responsáveis por nos ajudar a desenvolvê-la.

Você tem ajudado “seu” filho a aprender a se frustrar diante dos “nãos” da vida?

Autor: Cláudia Pedrozo

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One thought on “Alguns pais… melhor não tê-los!

  1. Marcelo sales says:

    Muito bom o texto, vejo muitos pais assim e vejo situacoes complicadas na criacao do meu filho. Mas o titulo do texto foi muito infeliz.

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