Imagem

Adolescência e a violência contra os pais

(Claudia Pedrozo)

Hoje vamos falar um pouquinho sobre algumas escolhas que os adolescentes fazem na vida e a relação destas com o processo educacional, especificamente com as questões ligadas ao Complexo de Édipo. Para isso vamos usar uma situação que veiculou na imprensa esta semana, quando uma jovem de 17 anos, ajudada por seu namorado de 21 anos, tirou friamente a vida de sua mãe. A adolescente planejou e executou friamente o crime. Infelizmente esta não é a primeira e nem será a última em que somos assombrados por histórias como esta!

Ouvindo este caso fiquei pensando nas escolhas destes jovens e imaginando como foram educados. Ela é culpada ou vítima? Não cabe a nós julgarmos. Mas como seres humanos buscamos explicações para toda bestialidade que vemos no mundo.

A Psicanálise evoca algumas possíveis explicações para este caso. Podemos dizer que o problema entre mãe e filha remonta à existências passadas e que a menina trouxe, gravado no seu inconsciente arcaico, sentimentos hostis e irreprimíveis pela mãe, que culminaram na sua ação. Muitos acharão esta explicação abstrata, filosófica até, distante demais da lógica cartesiana com que encaram a vida, logo descartável.

Ok, apelemos então para a questão do Complexo de Édipo mal resolvido. Freud criou o conceito, baseado na tragédia grega de Sófocles. Laio e Jocasta (pais) tiveram Édipo (filho) e este, apaixonado por Jocasta, mata Laio. Este conceito é fundamental para explicar nosso desenvolvimento e algumas de nossas escolhas futuras. Para Freud todos passamos por ele.

De forma bem superficial podemos dizer que é o Complexo de Édipo que faz com que a criança, dos 03 aos 06 anos, “se apaixone pelo progenitor do sexo oposto e dispute com o progenitor do mesmo sexo, o amor e a atenção do progenitor amado, muitas vezes odiando o progenitor do mesmo sexo”.

Sabe aquela situação em que o pai está abraçado com a mãe no sofá vendo TV e a menina chega, senta-se no meio e abraça o pai, repelindo a mãe, numa demonstração clara de disputa? Pois é… é o Édipo agindo! A criança não sabe o que está fazendo, é instintivo, irreprimível. Entra em cena a importância do modelo educacional desta família – pela repreensão, punição ou diálogo – de não incentivar esta atitude infantil. Com o passar do tempo e com as intervenções amorosas dos pais, a criança perceberá que o amor idealizado pelo progenitor é impossível e “errado”, superando temporariamente o Édipo que é revivido na fase da adolescência.

São muitas as situações que “dificultam” a superação do Complexo de Édipo, entre elas a ausência física (por divórcio, morte, desinteresse) ou psicológica (por descaso, negligência, violência) de um dos genitores, além de situações ligadas à falta de limites a esta “disputa” por parte dos pais.
Acho interessante refletir na ideia de alguns estudiosos que afirmam que os “serial killers” geralmente apresentam em sua análise psicológica um Complexo de Édipo mal resolvido. Seria este o caso em questão?

Compartilhar

One thought on “Adolescência e a violência contra os pais

  1. Cristina Andrade says:

    É um trabalho que começamos desde o nascimento, vamos lapidando com muito carinho, mostrando que os verdadeiros amigos são os pais. Conhecer os colegas e fazer amizade, tudo fica mais fácil. Meu filho tem 22 anos indo para a segunda faculdade. Grata

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *