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A GERAÇÃO DOS FRUSTRADOS PROFISSIONALMENTE

E quando você chega no emprego que queria, no cargo que sempre estudou para ter e percebe que está infeliz e perdido.? Tarde demais para mudar? Já se familiarizou com essa situação? Pois bem, é comum entre os jovens de hoje.

Uma boa escola, depois uma excelente nota para passar no vestibular, depois a universidade, o estágio na empresa dos sonhos, o diploma, a pós graduação, a promoção tão esperada, um MBA e finalmente o topo, uma diretoria, presidência, o “ser chefe” demorou, mas chegou. E é esse o caminho do sucesso e da felicidade ensinado para nós desde que nos foi feita a pergunta: “O que você quer ser quando crescer?”. Acontece que muitas vezes o fim desse caminho resulta em jovens infelizes profissionalmente, mas conformados graças ao afunilamento mental feito pelas instituições de ensino da sociedade brasileira. A maioria dos brasileiros encara essa situação do descontentamento profissional como algo que “faz parte da vida”. Só que não deveria fazer. Mesmo.

Se eu pudesse voltar no tempo hoje, jamais teria feito faculdade. Sim, economizaria tempo, estresse e dinheiro. Sou publicitária e trabalho com comunicação online. A faculdade não me ensinou a escrever bem. Não me ensinou a ser eloquente com os clientes. Não aprendi a usar o Photoshop e nem a desenhar bem na faculdade. Não aprendi sobre Google AdWords e sobre as redes sociais na sala de aula tão pouco. Na faculdade, não obtive nenhum tipo de inspiração criativa e não aprendi a falar outras línguas. Mas aprendi um bocado nos cursos livres que já fiz. Nas aulas de teatro perdi a vergonha de falar em público e a me expressar. Nas palestras sobre tecnologia eu me vi curiosa para pesquisar mais sobre o assunto por conta própria. Viajar me ensinou mais duas línguas. Assistir um filme, ver uma exposição, uma peça e passar o fim de semana num festival me deram um montão de ideias. Se eu pudesse voltar no tempo hoje faria muitos cursos livres sobre tudo o que realmente gosto, desde história e filosofia, até programação de sistemas e por que não, culinária? Poderia até parecer uma bagunça aos olhos de uma empresa pouco visionária, mas com certeza hoje eu seria muito mais completa e realizada.

Claro que algumas pessoas nascem com uma vocação e utilizam a faculdade como ferramenta essencial nesse processo. Estudar o que gosta torna qualquer pessoa o melhor profissional de todos os tempos. Ok, já sabemos. Mas nem todo mundo nasceu pra isso. Provas. Testes. Pra quê? Quando você finalmente pode escolher o que quer fazer da sua vida lhe é apresentado um leque de cursos de graduação em que você obrigatoriamente deve escolher um. Nem todo mundo se encaixa nesse mundo tão limitado. Pessoas talentosas são jogadas de um lado pro outro como marionetes porque um dia lhe disseram que esse é o caminho certo a seguir.

Quem disse que a moça que comprou uma máquina de costura porque gosta de fazer alguns reparos é menos importante do que a que está na faculdade estudando Fashion Design? Ou que o rapaz que tem talento como artesão e que faz móveis lindos de madeira é menos importante do que o outro que estuda administração de empresas? “Ah é que com o curso de graduação você vai ter um trabalho melhor, vai ganhar mais dinheiro.” – Será? E até que ponto esse raciocínio vale a pena já que é a sua felicidade que está em jogo?

As pessoas não param e pensam no que estão fazendo. Tenho certeza que tem muita gente que abre a boca pra falar cheia de orgulho da sua formação, da carreira, mas que senta todo dia na mesa do trabalho e pensa “que saco”. E pronto. Foi-se uma vida. Quem foi você? Que diferença você fez? Trabalhou bastante? Fez bastante dinheiro na sua carreira promissora? Que bom, parabéns. Mas e ai?

A conclusão é que você nunca deve se acomodar e nunca deve parar de procurar uma resposta. Porque se você acha que já tem uma resposta para o que quer fazer da vida, é porque você está no caminho errado. O sentido da vida é exatamente o contrário. É buscar as perguntas. É se questionar. É parar e pensar que nem tudo precisa seguir uma exatidão, um caminho certo. É perceber que quando se está tendo a mesma opinião da maioria, você talvez deva pensar de um outro jeito. É se perguntar sobre tudo o tempo inteiro. E enquanto isso, escolha um trabalho que gire em torno da sua vida e não o contrário.

Autor: Mari Rivas

Fonte: http://lounge.obviousmag.org/di_sainha/2014/08/a-geracao-dos-frustrados-profissionalmente.html#ixzz3VKXvXHy8

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7 thoughts on “A GERAÇÃO DOS FRUSTRADOS PROFISSIONALMENTE

  1. Compartilho da mesma formação, profissão e opinião.
    Faculdade é uma grande perda de tempo.

    Talvez funcione para Medicina, Engenharia e Mecânica. Talvez.

    Para outras atividades, é irrelevante.

  2. Raquel says:

    Ola penso do mesmo jeito isto por experiencia Propria, tenho 25 Anos fiz adm ate hoje nao Sei por que fiz isso, uma coisa foi levando a outra e acabei fazendo, mas sou sincera em dizer se pudesse voltar no tempo nunca teria feito, teria casa uma Mochila e ia ter Ido conhecer o mundo.

  3. luiza says:

    Estudar é muito importante. Fazer faculdade também. Só acho q somos forçados a tomar uma decisão cedo demais. Aos 17/18 anos acho pouco provável que todos saibam o que realmente querem. Eu errei.
    Hoje estou iniciando em algo que realmente gosto e me dá prazer. Em brevequero deixarminha frustraçãopra trás. Nunca é tarde.

    • Evora says:

      Passo por isso. Tenho 44 anos sou Administradora e professora universitária de uma instituição privada. Sou mais professora do que Administradora. Gosto do que faço dar aula, porém a insegurança e a falta de reconhecimento estão me fazendo rever se é realmente isso que quero para o resto da minha vida. Queria um trabalho que me permitisse ajudar e orientar pessoas e que me desse condições financeiras de ter uma vida legal. Não são apenas os jovens que passam por crises na carreira, mas principalmente nós que já investimis muito e não temos coragem de mudar.

  4. Vasconcelos says:

    Sim, me encontro numa situação parecida, já estou na segunda faculdade e me pergunto: Onde vou utilizar meus conhecimentos? Numa empresa? Ok, massa! Mas pra ser uma assalariada, sem reconhecimento, viver daquele pouquinho um dia cansará. Numa multinacional, indústria? Ok, mas tantos são os requisitos que você passou tempo de mais na faculdade e não se preparou de fato para algo maior. Digo isso para aqueles que trabalham 8h/dia e a noite tem a faculdade para dar de conta, e o tempo que sobra pra outras atividades não há, pq até nos finais de semana vc tem que estudar para as provas da faculdade que virão. Então, essa é a realidade que vivo e acho extremamente exaustiva. Pq uma coisa eu sei e que é certa (pois, escuto dos meus pais desde criança): Não posso fracassar, tenho que enfrentar e alcançar o sonho de viver bem de vida.

  5. Sílvia says:

    Fiz direito e não recomendo a ninguém. Limitante, nada se cria, nada ´que seja novo pode ser aproveitado, nada de roupas simples nem coloridas, nada de alegria no trabalho…uma chatice cheia de burocracias e balélas desnecessárias. Desde quando eu preciso que uma pessoa estranha a mim e à pessoa que gosto, diga que eu realmente gosto de quem eu gosto? Que teor de verdade e veracidade tem isto se o cara nunca me viu, não sabe nada sobre mim? Sem contar que para tudo há um esgoelante prazo correndo! Faz 5 anos estou mudando de carreira. Não é fácil aos 50 se dar conta desta ratoeira em que nos colocaram e nós pacificamente apenas aquiescemos sem discordar de nada, só deixamos-nos manipular fácil e tranquilamente. Para que? Por quem? O que ganham ou o que ganhamos? Sim, porque perder…perdemos tempo e vida!

  6. Lil says:

    Esse texto trata exatamente da minha realidade e acredito que muitas outras pessoas tambem se enxergaram na leitura, como em um espelho me vi em cada frase. A faculdade me trouxe mais maturidade do que conhecimento real. Sou administradora e hoje trabalho na área em uma grande empresa. Porém, a atividade que exerço não demanda necesaariamente o nível superior ja que funcionários antigos nao graduados ainda atuam na empresa. Para entrar atualmente é exigido diploma, mas nada dele se usa. O que me impede de talvez tentar mudar e seguir algo que amo é o medo da transição e principalmente ficar sem remuneração nesse meio tempo.

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